Acompanhar nascimentos é viver na beira.

A gente entra em histórias que não são nossas, mas que passam a morar dentro da gente. Esperamos sempre novos começos, mas a vida tem seu próprio tempo e nem sempre a chegada é como imaginamos; às vezes, ela é bem dolorida.

E aí no dia seguinte, entramos novamente numa sala de parto. Outra mulher. Outro corpo em trabalho. Outra vida surgindo.O mundo insiste em nascer de novo. É estranho. É duro. É profundamente humano. 

Trabalhar com nascimentos é aprender na prática que a vida vai e vem.Um dia uma notícia que corta o coração; no outro, estamos ao lado do momento mais importante de alguém.

Seguimos, quebradas, mas inteiras o suficiente para acompanhar cada vida que floresce.E, no fundo, acho que o o que importa é isso: estar ao lado e honrar a vida em toda sua intensidade, mesmo quando ela dói